Diário da Manhã

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Goiânia, 07/10/2005 - sexta-feira – Edição nº 6546.

 

Agricultura: A terra da Fertilidade

Domínio tecnológico e clima favorável são fatores que fazem de Montividiu uma das cidades com maior produtividade do País.

Welliton Carlos

Da editoria de Cidades

 

Uma cidade pacata do interior goiano tem fama de ser o município com melhor índice de produtividade agrícola por metros quadrados do país. Sem contar muita vantagem, Montividiu, no sudoeste de Goiás, parece parada no tempo, tal a imagem estática e brejeira de seus cenários.

 

Os agricultores pegam no pesado logo cedo. A movimentação começa no fim da madrugada e no início do dia. Famílias acordam antes do galo cantar e tratores ainda roncam no comecinho da noite. Na cidade que respira a 821 metros de Altitude, plantações crescem todos meses pivôs irrigam círculos verdadeiramente produtivos e o principal assunto da cidade costuma ser o preço da soja.

 

A diferença começa pela qualidade da terra. Quem agacha e pega um pouco da substância fofa e úmida sente de longe que Montividiu tem razão de figurar entre os melhores municípios de Goiás. O índice de Desenvolvimento Econômico (IDE) calculado pela Secretaria de Planejamento (Seplan) revela que a cidade está em 7º Lugar. Trata-se de colocação privilegiada quando se compara com 245 municípios.

 

A riqueza vem da força que brota na terra. Sebastião Lucio Leão, gerente da COMIGO ( Cooperativa Mista dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano LTDA), afirma que Montividiu tem 165 mil hectares produtivos em uma região de 190 mil hectares. “Nossa produção por hectare é a melhor do Brasil”. De palmo a palmo, sobra pouco espaço para se pensar em outra forma de vida produtiva. O agricultor José Oscar descreve bem o que preenche os limites da cidade – fazenda: É uma lavoura só. Tudo gira em torno da agricultura. Temos tecnologia, manejo e bom clima”.

 

Manejo significa técnica. Quer dizer que o homem que planta sabe exatamente o que está fazendo. “ Ele não agride a terra”, conta José Oscar.

 

Chuvas

Nem sempre a cidade teve terra com qualidade produtiva. Quando era distrito de Rio Verde, Montividiu enfrentou o síndrome do patinho feio. A vocação produtiva estava latente, mas sofreu por falta de independência ou seja investimentos. “ Era um cerradão só. Mato e mais Mato, recorda José Inácio, pequeno produtor”.

 

Em 1968, com a instituição política do município, o local se transformou em uma grande área produtiva. Uma ciranda de imigrantes italianos e alemães, paulistas e gaúchos se espalham pela área ao redor de Rio verde. Como aprenderam a manejar bem a terra, manipularam o calcário da própria região e reergueram Montividiu. Em pouco mais de 15 anos, o município saiu da rabeira das estatísticas de Desenvolvimento Humano (IDH), contabilizado pelo IBGE e endossado pela Nações Unidas (ONU). Até o sistema de chuvas da região colabora para a qualidade das plantações. “ A vaporização que vem da Amazônia bate na serra e sobe interferindo nas massas quentes. Isso provoca chuva mais cedo do que em outras cidades”, explica o produtor Ercílio Pezzini.

 

A chuva começa antes na Serra Caipó, fantástica área de terra com sítios arqueológicos. Em meados de Setembro é dada a largada produtiva. “Em alguns casos, da Para plantar até duas safras". Informa. Por isso a cidade sai na frente em relação a muitas outras concorrentes agrícolas. Como a chuva começa antes e termina mais tarde, resta mecanizar, controlar e cuidar do solo. Sem adversidades naturais, a produção local se torna imbatível..

 
     

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